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OS 10 ERROS NUM PONTO DE VENDA
Gabriel Ferreira da Silva
Num ponto de venda é essencial
criar estímulos aos potenciais clientes. Daí que a atmosfera geral deva ser
aproveitada como meio de chamar a atenção. Saiba como evitar alguns dos erros
mais comuns.
1. Descuidar a montra
A montra deverá ser transformada num permanente convite a entrar. Colocar um
espécime de cada um dos produtos, num amontoado confuso, é um erro muito
comum. A montra não é um catálogo. Pense como se fosse um consumidor: uma
montra clara, em que se perceba o que é vendido naquele ponto de venda e com
duas ou três mensagens claras (promoção, novidade, exclusivo, por exemplo).
2. Deficiente iluminação
É desagradável entrar numa loja que se encontra em ambiente de autêntica
penumbra. É certamente uma péssima primeira impressão. Também o será se ao
entrar tiver a sensação que levou com um flash nos olhos, tal a intensidade da
luz. No equilíbrio está a virtude, e esse equilíbrio será diferente em cada
caso e para cada tipo de produtos ou serviços que se pretende vender.
3. Não cuidar da temperatura
Um ponto de venda deverá sempre procurar reter durante o máximo de tempo possível
os clientes no seu interior. Se não investir num sistema de refrigeração/aquecimento
adequado a cada estação, poderá deparar-se com situações em que no interior
do seu estabelecimento esteja mais frio ou mais quente do que no exterior, o que
é um convite à saída...
4. Cores desajustadas
Não chocar nem ser agressivo ao escolher as cores base do seu ponto de venda é
extremamente importante. As cores fazem parte de todo o ambiente, que se quer
agradável e facilitador dos contactos e das vendas. Cores que distraem a atenção
do cliente são um erro. Mas também a ausência de cor ou cores demasiado
deslavadas, anônimas, dão um certo desconforto que será de evitar.
5. Não utilizar a simpatia
Evite a pergunta deseja alguma coisa?. Pois se o cliente entrou no seu
ponto de venda certamente deseja alguma coisa, nem que seja uma informação. Não
se irrite com as perguntas tolas, procure entender que o cliente tem dificuldade
em explicar e seja sempre prestável, nem que seja para chamar um táxi (não
deve cobrar a chamada!), ou para indicar uma rua. Lembre-se que o mais
importante é reter o consumidor e deixar a sensação de que valerá a pena
retornar àquele estabelecimento.
6. Layout desadequado
Ao entrar no ponto de venda, o cliente tem de se aperceber, automaticamente e
com facilidade, onde é o atendimento e onde estão expostos os artigos. Evite
aquelas disposições de espaços onde não se sabe bem onde começa o expositor
e começa o armazém, ou onde apenas a pessoa do atendimento é capaz de
discernir onde está o produto, levando o cliente a ter de contatar sempre com
ela. Neste caso perderá o cliente ocasional que entra para dar uma vista de
olhos, mas que sai de imediato, pois não se apercebe de nada que lhe
interesse, unicamente devido à disposição interior do ponto de venda.
7. Dar informações erradas
Se na montra tem uma mensagem de desconto, mas depois informa o cliente que tal
desconto já acabou, perderá esse cliente. Será também um erro grave dar
informações diferentes das que, por exemplo, estão indicadas na etiqueta ou
no folheto técnico. Os clientes, mais tarde ou mais cedo, tomarão consciência
de que houve engano e o prejudicado será sempre o ponto de venda. A má (e a
boa) fama vive muito do passa palavra, e um erro grave pode atingir
gravemente o seu negócio.
8. Não renovar regularmente a imagem geral
Uma vez ganho o cliente, a sensação de que a loja está sempre na mesma no
sentido da decoração, montra e produtos expostos, certamente não ajuda a
atraí-lo a lá voltar, pois este já sabe que não encontrará nada de novo.
Uma refrescadela de vez em quando pode estimular a atração de novos
clientes, e levar os consumidores habituais a interessarem-se pelas novidades.
9. Não cuidar dos estoques
Se alguns produtos não têm a saída esperada, não os deixe ir amontoando
indefinidamente, pois decerto dará uma ar de imobilismo, o que deve ser
evitado, para além de poder vir a ter problemas de espaço e de arrumação.
Mais vale tentar despachá-los com descontos ou saldos. Pelo menos sempre
salva alguma coisa e o prejuízo será menor, podendo além disso ganhar
clientes para melhores ocasiões.
10. Descuidar a formação do pessoal
Dá péssima impressão um vendedor apenas saber o preço do produto que o
cliente deseja e desconhecer as suas características principais, são muitas
vezes os fatores informativos que levam o cliente a optar pela compra. A formação
do pessoal é uma necessidade óbvia em termos de qualidade de atendimento,
capacidade de informação e técnicas de vendas, fatores que poderão
potenciar melhores resultados.
Erro Capital 
Muitas vezes não se vende, o cliente é que compra. Esse talvez
seja ainda hoje um dos um dos principais erros nos pontos de venda, refere Ana
Penim, diretora da Escola de Comércio de Lisboa. Para esta responsável pela
formação de centenas de novos profissionais, é um erro também muito comum não
olhar às práticas e estratégias da concorrência, retirando os ensinamentos
positivos que se poderão aplicar no nosso ponto de venda. A diferenciação, a
atenção ao cliente, toda a envolvente do espaço de venda são também fatores a não descurar. Para Ana
Penim, aquilo que chamamos ‘Visual
merchandising’ que abarca conceitos e práticas que vão desde o
vitrinismo ao desenho dos espaços interiores, às cores, entre outros, são
aspectos ainda muito descuidados no comércio atual, adiantando no
entanto que as novas gerações são já muito mais utilizadoras destas técnicas,
numa perspectiva profissional, que durante tanto tempo foi descurada.
Mas o atendimento é ainda o fator que faz a grande diferença. Ana Penim
afirma que o prazer em receber, a atenção ao cliente e a simpatia são
os elementos que nos cativam como consumidores, mas que tantas vezes estão
ausentes de grande parte dos pontos de venda. Daí que a grande aposta deverá
ser o reforço nestas componentes, nomeadamente através da formação.
Ainda segundo esta responsável, nota-se já, sobretudo entre os mais
novos, uma nova imagem do comércio, fruto sobretudo da aposta no
profissionalismo e na adoção de tecnologias que potenciam os resultados
positivos, e que têm estado ausentes do comércio em geral, nomeadamente dos
pequenos pontos de venda.
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