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COMO REAGIR AO DESEMPREGO
Célia Azevedo


Ficar desempregado não é necessariamente o fim do mundo, nem sequer o fim da sua carreira profissional. AI&N deixa-lhe aqui um conjunto de sugestões que deverão ajudá-lo a libertar-se deste problema.


Hoje chegou ao trabalho e o seu chefe diz-lhe que lamenta imenso mas que vai ter de dispensar os seus serviços. Você arruma as suas coisas, aquelas lembranças que foi acumulando ao longo do tempo: as fotografias, os objetos pessoais mas também toda a formação e informação que adquiriu enquanto realizou o trabalho e que lhe poderão ser muito úteis num futuro próximo.

O mais importante agora é definir objetivos e colocar a si próprio uma série de questões: gostava mesmo do que fazia? Quer procurar alguma coisa no mesmo ramo ou será a altura de começar a fazer aquilo de que realmente gosta e que lhe dá prazer? E aquele negócio por conta própria com que sempre sonhou?

Se já sabe o que quer, então agora procure o caminho certo. Não feche totalmente a porta a nenhuma opção que, à partida, lhe pareça menos boa e deixe também algum espaço para o imprevisto.

Numa situação de desemprego, um dos passos mais importantes a dar é a inscrição no Centro de Emprego. Segundo o diretor dos Serviços de Emprego e Formação da Delegação Regional Norte, Machado Alves, os serviços de empregos foram inicialmente criados para realizar o ajustamento entre a oferta e a procura de emprego, permitindo que as empresas transmitissem aos centros as necessidades que tinham e que os candidatos através dessa via encontrassem o emprego que lhes fosse mais conveniente. Mas atualmente, acrescenta, os centros de emprego são mais interventivos, quer ao nível dos subsídios de desemprego quer através da criação de programas específicos para públicos-alvo, como estágios profissionais para os mais jovens.

O Centro de Emprego tenta assim encaminhar os jovens que estão na situação de desemprego para os centros de formação profissional, que são uma das vias que facilitam o acesso ao mercado de trabalho”. O objetivo é minimizar o problema da falta de qualificação profissional. Essa é uma das características de uma boa parte dos nossos ativos”, acrescenta.

Independentemente das suas qualificações, vá à luta. Pegue no bilhete de identidade e no cartão da Segurança Social e dirija-se ao centro de emprego da sua área de residência para se inscrever e perguntar de que forma é que o podem ajudar. Os centros de emprego possuem um leque muito vasto de apoios para grande parte das necessidades e um conjunto de profissionais que o vão orientar. Nesses locais pode obter informações atualizada sobre o mercado de emprego e profissões, tais como:

Informação sobre proteção social no desemprego
Para receber o subsídio de desemprego tem que provar que trabalhava por conta de outrem, que está em situação de desemprego involuntário e ter no mínimo 540 dias de trabalho descontados nos 24 meses que precedem a data de desemprego. Deve ainda apresentar a documentação até 90 dias após a data de desemprego.

O número de prestações varia com a idade:
Menos de 30 anos 12 meses
Dos 30 até aos 40 anos 18 meses
Dos 40 até aos 45 anos 24 meses
Mais de 45 anos 30 meses

Oportunidade de criação do próprio emprego/empresa - IEFP
Se é titular de subsídio de desemprego e pretende criar o seu próprio negócio pode requerer de uma só vez a totalidade das prestações para esse efeito. Para tal, deve apresentar um projeto para uma atividade econômica e/ou social, em nome individual ou coletivo, independentemente de os outros participantes serem beneficiários ou não, para que o projeto seja observado quanto à viabilidade econômica. Pode ainda candidatar-se a apoios de natureza técnica e financeira para promover o emprego ou para formação profissional. O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) pode ainda conceder-lhe um subsídio complementar especial, a fundo perdido, para o financiamento do projeto, de 12 vezes o salário mínimo nacional, caso a totalidade do subsídio não seja suficiente. “Nós apoiamos a fundo perdido a criação dos postos de trabalho”, salienta Machado. Esta pode ser a oportunidade de que estava à espera para começar a fazer o que realmente gosta.

Frequência de ações de formação profissional
Existem ações ou cursos de formação nas mais diversas áreas. Pode sempre escolher um que o atualize face à atividade em que está inserido e também pode optar por outros em áreas bem diferentes, se o seu objetivo for mudar de ramo. Este tipo de formação é importante também para quem tem emprego e faz questão de o manter. Se estiver indeciso quanto à escolha, os Conselheiros de Orientação Profissional do centro de emprego dar-lhe-ão uma ajuda.

Programas de orientação e reorientação de carreira
Os centros de emprego dividem-se, em termos estruturais, em dois sectores: o da colocação, onde estão inseridos os técnicos de emprego e os técnicos superiores, e o da orientação, onde estão os conselheiros de orientação profissional. “Os candidatos ao primeiro emprego passam por estes sectores bem como aqueles que acham que o projeto que estão a desenvolver não está bem definido e, por isso, necessitam do apoio de um profissional”, explica Machado Alves. No entanto, “estes profissionais não definem caminhos, apenas informam e trabalham em conjunto com as pessoas a fim de encontrar um ponto de equilíbrio”, esclarece.

Participação em programas de ocupação temporária
Os programas ocupacionais são situações transitórias para pessoas carenciadas que estejam abrangidas pelo subsídio de desemprego. É um trabalho social que se desenvolve normalmente em entidades sem fins lucrativos explica o diretor dos Serviços de Emprego da DRN.

IFEJ - Inserção e Formação Empresarial Jovem
Este programa é dirigido especificamente a pessoas que terminaram cursos superiores na área das ciências humanas. O objetivo é formá-los em assistentes empresariais para PMEs. O programa tem uma componente de formação teórica bem como uma outra de formação prática que se concretiza através de um estágio profissional numa empresa. Com esta formação específica [os licenciados] poderão vir a ocupar postos de trabalho nas empresas que muitas vezes os próprios empresários não imaginavam que seriam necessários. Este programa foi criado especificamente para a área metropolitana do Porto, embora nele possam participar pessoas de todas as regiões .

Rede Eures É um sistema Europeu que permite ter acesso a todas as ofertas de emprego no Espaço Econômico Europeu (os 15 países da União Européia mais a Islândia e a Noruega). As ofertas são introduzidas na rede e posteriormente divulgadas aos centros de emprego.

Não baixe os braços
A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa desempregada é a passividade. Para Carlos Fragão, Psicólogo do Trabalho e Diretor do Centro de Emprego de Vila Nova de Gaia, este é o erro capital que as pessoas não devem cometer. Este especialista realça ainda a importância de se traçar objetivos, porque ninguém pode chegar a lado algum se não sabe para onde quer ir. E deixa algumas dicas sobre o caminho que qualquer pessoa desempregada ou insatisfeita com o seu trabalho deve percorrer:

Construa um projeto
Perceba o que quer fazer e depois lute por isso. Este é o primeiro passo que deve dar quando se encontrar numa situação de desemprego. Descubra aquilo que quer realmente fazer, seja procurar um novo emprego, continuar a estudar ou aperfeiçoar conhecimentos que já possui.

Apresente um bom curriculum
É importante ter um curriculum bem estruturado bem como uma carta de apresentação bem redigida. Hoje, os computadores já têm programas que o ajudam a fazer estes documentos.

Procure ativamente um emprego
Nos centros de emprego as ofertas de emprego estão normalmente afixadas à entrada, não custa nada dar uma vista de olhos para ver se há alguma coisa que lhe interesse. Mas não fique à espera que o chamem. Consulte também os anúncios de jornais e da Internet. Quase todos os motores de busca têm canais com informações sobre emprego e é só dedicar uns minutos por dia a consultá-los. Há ainda empresas de trabalho temporário ou recursos humanos que o podem ajudar. Existem imensas. Pode dirigir-se a elas pessoalmente, por escrito ou via e-mail.

Tenha polivalência de conhecimentos
Há um conjunto de conhecimentos que, em qualquer ocasião, se aprendem e que aumentam o plafond de competências de cada um. Para os profissionais que perderam o emprego há um ano ou mais e que querem voltar ao mercado de trabalho é importante que realizem ações de conversão, de aperfeiçoamento, de reciclagem de conhecimentos. O mercado é um espaço dinâmico, precisa de ser acompanhado”. Neste ponto a aprendizagem de línguas é fundamental. Além do imprescindível inglês, há uma série de outras línguas de importância crescente no mundo dos negócios, como o espanhol, o japonês, ... Pode inscrever-se em diversos institutos, mas é nas universidades que eles são mais econômicos e não necessita de ser ou ter sido aluno da faculdade.

Crie redes informais de obtenção de emprego
Há quase sempre um amigo que tem um tio que sabe de um vizinho que precisa de um empregado de balcão. É importante capitalizar conhecimentos, alargar o leque de alternativas. Uma oportunidade cria outras oportunidades. Neste ponto, Carlos Fragão defende ainda que uma pessoa volta tanto mais rápido ao emprego quanto mais vasta for a rede de contactos que ela conseguir estabelecer.

Autoproponha-se
Envie cartas de candidatura espontânea para as empresas onde gostaria de trabalhar. Estas coisas, por si só, não garantem a obtenção de emprego, mas todas elas, mais a atitude de atividade face ao emprego, mais o consultar o jornal todos os dias, mais o conjunto de redes informais que se estabelece com as pessoas, mais as competências que vai tentar adquirir independentemente de estar desempregado ou não, vão ajudá-lo a conseguir. É uma questão de atitude garante o psicólogo.

Procure estágios
Os estágios são uma outra forma de entrar no mercado de trabalho. Em Portugal ou no estrangeiro, eles existem nas mais variadas áreas. Vai adquirir um know-how que de outra forma seria difícil obter, além da possibilidade de ficar na empresa. Não falando da experiência única que pode ser integrar-se numa cultura diferente da sua, caso opte pelo estrangeiro.

                                                      


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