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COMO REDIGIR UM CURRICULUM
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Nenhum
recrutador quer saber a história da sua vida. Ao ler o seu currículo, o que
ele pretende é ter uma idéia clara do tipo de pessoa e de profissional que você
é.
CARTÃO DE VISITA
O currículo é como um cartão de visita que um candidato apresenta a um
potencial empregador. Apesar de incluir as fases, qualidades, qualificações e
feitos mais importantes da vida de cada profissional, não deve ser uma
autobiografia, mas um resumo objetivo e simples. O mais importante é que
consiga chamar a atenção do potencial empregador e despertar a sua vontade
para conhecer pessoalmente o candidato. No momento em que este é chamado para a
entrevista, quer dizer que conseguiu superar a primeira fase do processo de
recrutamento e que já conquistou alguns pontos a seu favor.

Porém, redigir um bom currículo não é fácil. Exige planejamento, método,
capacidade de síntese e, acima de tudo, muita objetividade. Enviar um currículo
medíocre pensando que depois poderá colmatar as falhas durante a entrevista é
um erro; o recrutador poderá nem sequer estar interessado em conhecê-lo.
Esteja disposto a reescrever várias vezes o currículo até chegar a um produto
final que o satisfaça em pleno.
Antes de começar a redigir o seu currículo vale a pena sentar-se um pouco e
pensar no que fez até ao momento e nos objetivos que tem relativamente à sua
carreira e a um novo emprego. Pense no que é que gostaria de estar a fazer hoje
e onde, e como é que se vê daqui a um e a cinco anos. A partir daqui, poderá
definir objetivos mais claros e atingíveis para não começar a “disparar”
currículos em todas as direções; esta é uma estratégia pouco eficaz e fará
com que seja contatado por potenciais empregadores para os quais não gostaria
de trabalhar... tem dúvidas de que poderá aproveitar melhor o seu precioso
tempo?
Escolha o tipo de currículo
Quando decidir redigir o seu currículo, comece por definir o formato que
pretende apresentar e que mais se adequa ao seu perfil profissional. Os formatos
mais comuns são:
• Cronológico. É o estilo mais comum que se adequa a qualquer tipo de
profissional, com ou sem experiência, e que relata a evolução da carreira por
datas. Neste caso, as informações são registradas por ordem cronológica
inversa, ou seja, do acontecimento mais recente para o mais antigo.
• Funcional. Centra-se nas experiências e nas realizações pessoais e
profissionais, independentemente da data em que ocorreram. Destina-se sobretudo
a profissionais experientes que, mais do que relatarem o seu percurso, devem dar
enfoque ao que já alcançaram ao longo da sua carreira.
• Misto. Reúne as características dos dois tipos de currículos anteriores,
tentando otimizá-las: combina o rigor do currículo cronológico com a
flexibilidade e dinâmica do currículo funcional.
Para José Quintino, diretor da área de recrutamento e seleção da EGOR, o
tipo de currículo mais eficaz é o cronológico. “Os currículos devem ser objetivos,
o que implica estarem ordenados por ordem de datas, dos acontecimentos mais
recentes para os mais antigos, quer se trate de cursos quer de experiência
profissional”, afirma.
Defina a estrutura
Escolhido o tipo de currículo, chegou a hora de começar a registrar por
escrito as principais informações relativas à sua vida acadêmica e
profissional, e organizá-las coerentemente. Não há um formato de currículo rígido,
mas há secções e informações que são obrigatórias e em relação às
quais nenhum recrutador passa ao lado (ver na página 96 o exemplo de um currículo).
José Quintino aconselha que a estrutura do documento esteja organizada por capítulos,
destacando os seguintes:
• Dados pessoais. Inclui as informações pessoais do candidato, que devem
estar sempre atualizadas; sempre que houver alguma alteração, o candidato
deverá reenviar o currículo (se for em papel) ou fazer a respectiva atualização
no currículo eletrônico.
• Habilitações acadêmicas. Esta secção deve incluir os cursos, mestrados
e outros graus acadêmicos obtidos, organizados por ordem cronológica, do mais
recente para o mais antigo.
• Experiência profissional. O candidato deverá referir todas as empresas por
onde passou e todos os cargos que ocupou ao longo da vida profissional.
• Formação complementar. É nesta secção que devem ser revelados os cursos
de línguas, de informática e outros cursos relevantes que se freqüentou.
• Tempos livres. Este capítulo é facultativo e, na opinião de José
Quintino, deverá ser deixado para a entrevista. “O fato de um candidato
praticar aeróbica ou natação não é muito relevante na fase de apreciação
do currículo”, afirma.
Cumpra as regras
Na sua vasta experiência na análise de currículos, José Quintino identifica
diversos erros facilmente evitáveis na apresentação de candidaturas. Para
este especialista, os mais comuns são a falta de objetividades e a grande
extensão dos currículos, aos quais ainda são muitas vezes anexados documentos
desnecessários, como certificados de conclusão de curso, declarações de
empresas, entre outros, que não são valorizados por quem analisa o currículo.
Aliás, este documento “deve sempre deixar espaço de abertura para o
recrutador querer conhecer pessoalmente o candidato”, afirma.
Para não cair nestas e em inúmeras outras armadilhas, atente nas seguintes
regras de redação de um currículo que o farão distinguir-se entre a
“multidão” de candidatos.
• Limite a dimensão. Um currículo deverá ter, no máximo, duas a três páginas
(excluindo uma folha de rosto), o que permite ao recrutador identificar mais
rapidamente o perfil do candidato e os aspectos relevantes. As exceções são
os candidatos mais experientes, que poderão ir até às quatro páginas, e os
recém-licenciados com ou sem experiência, que deverão limitar-se a uma.
• Escolha o tipo certo de linguagem. É muito importante que o currículo seja
claro na forma como apresenta as informações. Mesmo que seja necessário
utilizar termos técnicos para determinados cargos, é importante que a
linguagem seja perceptível para a grande maioria dos leitores.
• Reduza o número de informações. Seja breve e não exagere no número de
informações: a sua altura e cor dos olhos não são relevantes e é melhor
deixar os seus hobbies para a entrevista. As exigências salariais são um
assunto a ser abordado numa fase posterior.
• Adapte os dados ao recrutador. Não sobrecarregue o currículo com fatos que
não sejam relevantes para o cargo a que se candidata. Construa o seu currículo
de acordo com a empresa e o tipo de cargo a que se vai candidatar.
• Acompanhe o currículo de uma carta de candidatura. Esta deve dirigir-se, se
possível, a uma pessoa específica, deve ser curta (uma página, no máximo) e
ser fácil de ler. No primeiro parágrafo explique a razão e o interesse da
candidatura; nos dois parágrafos seguintes fale brevemente da sua formação,
qualificações e experiência; no quarto, faça um pedido para ser recebido em
entrevista; no quinto, encerre a carta agradecendo o tempo que o leitor
despendeu. Assine-a à mão.
• Atualize as informações. As informações do currículo devem ser atualizadas,
uma vez por ano, pelo menos, ou sempre que ocorrer uma alteração digna de registro.
• para seu bem: não minta! Está a “dar um tiro no próprio pé”. As
mentiras têm pernas curtas e as informações no seu currículo são facilmente
verificáveis.
Dicas de formatação
Estruturar corretamente um currículo é importante. Mas não é menos relevante
garantir que ele seja fácil de ler, que seja agradável à vista e que não
tenha falhas, por mais pequenas que sejam. Para não cometer erros, atente nos
seguintes conselhos práticos:
• Introduza uma linha de separação entre cada parágrafo para facilitar a
leitura.
• Evite parágrafos muito longos, com mais de seis a sete frases.
• Utilize um tipo de letra simples, como Times, Arial e Helvética em corpo
entre 10 e 14. Evite texto formatado a itálico, sublinhados, negritos,
sombreados e palavras e frases em maiúsculas. Podem dificultar a leitura e a
digitalização das informações.
• Evite barras horizontais e verticais, caixas de texto, parêntesis e aspas
para que os currículos possam mais facilmente ser integrados nas bases de dados
de diferentes empresas.
• Certifique-se de que o currículo está legível, sem erros gramaticais e
sem distrações de escrita.
• Organize a informação de forma coerente, destacando cada uma das rubricas
com a letra a bold (negrito) ou com outro tipo de letra (desde que não seja
muito diferente) ou ainda com maiúsculas.
• Escreva o currículo na terceira pessoa e evite utilizar a palavra “eu”.
As vantagens das “e-candidaturas”
www.stepstone.pt
O velho currículo em papel não está condenado, mas a apresentação da
candidatura via Internet está a começar a dominar as abordagens tradicionais.
O elemento-chave das candidaturas via Internet é o formulário eletrônico, que
os candidatos poderão preencher diretamente do seu computador. Se, entretanto,
as entidades recrutadoras pretenderem informações mais detalhadas, pedem o
currículo em papel e, eventualmente, convocam uma entrevista. João Diogo
Prazeres, diretor-geral da StepStone, considera que “a tendência atual é
para a candidatura passar a ser feita via Internet. O currículo em papel não
é substituível, mas passará a ser uma peça complementar ao processo de
candidatura on-line”.
Segundo o especialista, as vantagens das candidaturas eletrônicas são várias,
nomeadamente:
• Maior simplicidade e rapidez. Este é um meio muito simples e eficaz para um
candidato encontrar as oportunidades de emprego adequadas a si. “Pelos métodos
tradicionais, para se fazer seis candidaturas são necessárias sensivelmente três
horas. Via Internet, em três horas poderá apresentar cinco vezes mais
candidaturas. Conseqüentemente, o recrutador também terá que ser muito mais rápido
na resposta. Se não for, no momento em que faz os contactos já outras empresas
poderão ter recrutado o candidato em que a empresa estaria interessada”.
• Processo de análise mais justo. As candidaturas on-line são um processo
mais justo para ambas as partes porque “a escolha dos candidatos com o perfil
desejado não está sujeita ao cansaço da pessoa que analisa diariamente muitos
currículos em papel. É completamente diferente analisar um currículo em papel
no início do dia ou no final, após ter lido dezenas ou até centenas de currículos.
O formulário eletrônico não tem esta falta de isenção”, revela João
Diogo Prazeres.
• Facilidade de arquivo. Grande parte das empresas recebe candidaturas e currículos
em papel que deverão digitalizar de forma a introduzir os dados nos seus formulários
eletrônicos. Porém, os formatos dos currículos são sempre diferentes, o que
dificulta este trabalho. E quando se adiciona ao processo as candidaturas espontâneas,
a perda de tempo é incrível. Daí a importância dos formulários eletrônicos.
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